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terça-feira, 6 de maio de 2014

Olimpíadas de 1936 | Pela primeira vez, uma ditadura sediava o evento mundial

por Felipe Carvalho


Berlin foi eleita para receber os Jogos Olímpicos de 1936 cinco anos antes, quando o nazismo ainda não tinha chegado ao poder na Alemanha. Com a ascensão do 3º Reich, porém, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tentou tirar os Jogos dos alemães, sem sucesso. Os norte-americanos, inclusive, programaram os Jogos Alternativos em Barcelona, cancelados devido à Guerra Civil Espanhola.

Os nazistas não pouparam esforços para fazer das Olimpíadas propaganda do regime. Os melhores engenheiros do Reich projetaram o estádio Olímpico, que custou US$ 30 milhões. Todas as grandes indústrias alemãs colaboraram, visando fazer dos Jogos um momento histórico para a glória de Adolf Hitler

Um memorando secreto transmitido no dia 18 de julho de 1936 para todas as forças de segurança advertia: "O desenvolver grandioso e sem incidentes dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, é da maior importância para a imagem da nova Alemanha aos olhos de nossos convidados estrangeiros".

A Olimpíada de Berlim obteve grande êxito popular, com mais de três milhões de espectadores nas arquibancadas. O evento também pôde ser acompanhado por meio de uma novidade: a televisão. Além disso, o regime encomendou a Leni Riefenstahl, a cineasta oficial do Reich, a realização de um documentário oficial, chamado "Deuses do Estádio".

Berlin foi também a última Olimpíada antes da Segunda Guerra Mundial. À época, já se ouvia na capital da Alemanha rumores de uma luta que acabaria por devastar a Europa. O conflito eclodiria em 1939, e as duas edições seguintes dos Jogos, programadas para Tóquio-40 e Londres-44, foram canceladas.

No Brasil, briga entre entidades quase tira atletas

Um ano antes de Berlim-36, o Brasil ainda não sabia qual a entidade responsável pela organização da equipe que iria á Alemanha. Até 1935, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) era quem organizava as delegações olímpicas do país. A criação do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) no mesmo ano armou a confusão. As entidades brigaram para ver quem levaria os atletas a Berlim. A disputa só foi decidida na véspera do embarque, em favor do COB, depois que a CBD concordou em fundir as equipes.

Após todo esse conflito, o Brasil foi para a Alemanha com 95 atletas (sendo seis mulheres), o maior número até então. Nas competições, os brasileiros mais uma vez ficaram sem medalha. Foi a última vez que o Brasil saiu de uma Olimpíada sem nenhuma conquista.

Das 10 modalidades onde os brasileiros foram inscritos, os melhores resultados vieram na natação, no atletismo e no tiro. A nadadora Piedade Coutinho chegou em quinto lugar nos 100m livre. Para azar da brasileira, duas das melhores nadadoras da história participaram dessa decisão: a holandesa Hendrika Mastenbroeck, ouro, e a dinamarquesa Ragnhild Hveger, prata.

No atletismo, Sylvio de Magalhães Padilha correu os 400m com barreiras em 54s e ficou com a quinta colocação. Campeão brasileiro de basquete, atletismo e integrante da equipe de pólo aquático em Los Angeles-1932, Padilha seguiu no esporte como dirigente e chegou à presidência do COB na década de 60.

O Brasil também participou da estréia do basquete nos Jogos Olímpicos com sua equipe masculina. Ficou na oitava colocação.

Fontes: 
Uol
Esquerda.net

Suicídio ou fuga? - os mistérios que cercam o fim da Era Hitler

Por Camille Ferreira

Suposto Hitler morto com tiro na cabeça

Quem nunca ouviu falar de Adolf Hitler, o ditador responsável pela maior carnificina da história da humanidade? No dia 30 de abril de 2014, sua morte, cercada de mistérios até os dias de hoje, completará 50 anos. Mas vamos voltar um pouco no tempo e relembrar sua trajetória.

Adolf Hitler, ditador alemão, nasceu em 1889 na Áustria, na divisa com a Alemanha. De origem humilde, ficou órfão de pai e mãe cedo, e há quem afirme que sua mãe tenha morrido por envenenamento, após ser medicada por um médico judeu. Na escola foi um garoto como qualquer outro. Aos 19 anos, abandona a escola para tentar admissão na Academia de Belas Artes de Viena, mas foi reprovado por duas vezes. Aos 20 anos, continua pintando e tentando vender sua arte, sem muito sucesso. Alistou-se de forma voluntária no exército, tendo se revelado um soldado valente e esforçado. Aos 25 anos, pôde acompanhar o anúncio da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Uma guerra de horrores, onde sua pátria foi derrotada, humilhada e arrasada.

Hitler naturalizou-se alemão apenas em 1932 e foi na Alemanha que ele amplificou toda a sua atividade política. Até os 30 anos, Hitler ainda era um fracassado, após sair do exército, associou-se a um grupo nacionalista, o Partido dos Trabalhadores Alemães, que mais tarde viria a se tornar o Partido Nacional-Socialista Alemão, ou nazista.

No dia 30 de janeiro de 1933, o então presidente da Alemanha Paul Von Hindenburg, anuncia Hitler como chanceler do país. Ninguém imaginava, mas, naquele dia, a Alemanha conheceria um ditador frio e perverso. 

Com uma Alemanha rendida, o discurso de um líder carismático como Hitler ofereceria segurança e expectativa de dias melhores, com promessas, muitas promessas ilusórias para 
manter a população à mercê da escravidão.

Além da classe média, operários e camponeses em total desespero, as Forças Armadas também se identificavam com as idéias nacionalistas do ditador. Todos acreditavam que os nazistas os protegeriam de uma ameaça comunista.

Hitler então passou a ser cultuado como um Deus pela grande maioria do povo alemão. Popularmente, já era chamado de Führer (líder). Teve início então o III Reich (Terceiro Império).

Adolf Hitler poderia ter sido uma figura diferente, um verdadeiro líder para seu povo, um grande defensor da pátria, mas preferiu travar uma cruel batalha contra aqueles que julgava indesejáveis. Estava proclamada a superioridade da raça ariana, a quem pertenceria apenas o povo alemão de sangue puro e, consequentemente, a necessidade de reprimir as raças inferiores, como judeus, homossexuais, negros, alcoólatras etc.

É quase impossível precisar o número total de mortes causada pelo regime nazi, em 12 anos de atrocidades nazistas, as conseqüências foram desastrosas. Estima-se que cerca de 6 milhões de pessoas perderam suas vidas.

A queda do ditador

Em abril de 1945, o terror nazista começa a perder força. Tropas aliadas da Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, libertaram os campos nazi e depararam-se com os vestígios dos horrores cometidos pelos nazistas. Os russos estavam prontos para tomar Berlim, a cidade estava próxima do fim.

Dia e noite bombardeiros britânicos e americanos decolaram para bombardear a Alemanha, aviões planavam pelo céu levando uma chuva de destruição pelo país. Nunca uma guerra havia causado tanta destruição nas obras humanas. A visão de Hitler para a conquista do mundo estava desaparecendo.

Sua saúde já estava debilitada devido às contrariedades com o front, especialmente após a Batalha de Stalingrado. Ele tinha problemas cardíacos, sofria de insônia, era hipocondríaco e estava envelhecendo de forma precoce.

O grande ditador se mostrou fraco diante da derrota, ela não aceitava perder para os russos, sua falha foi não assumir a derrota, mas as tropas alemães se renderam.

A bandeira branca da rendição agora tremulava por todas as partes, os americanos desceram a bandeira da suástica e, em seu lugar, colocam listras e estrelas.

O russos então tomaram Berlim, e Hitler se viu obrigado a refugiar-se em uma chancelaria com sua esposa Eva.

Em 20 de abril de 1945, enquanto os russos fazem uma varredura por Berlim, Hitler reunia seu staff para a reunião final, onde decidiu quem ficaria com ele até o fim. Hitler então vai para o bunker sob a chancelaria com Eva.

A morte de Hitler

Hitler foi dado como morto em 30 de abril de 1945, mas muitos são os questionamentos sobre o que de fato aconteceu a Adolf Hitler e Eva Braun, com quem foi casado por apenas um dia. A hipótese mais aceita e considerada por muitos historiadores como uma verdade incontestável, é que Hitler e Eva cometeram suicídio, Hitler por arma de fogo e Eva por envenenamento, após ingerir cianeto.

Mas como provar que ele e sua esposa se mataram em um bunker? Não há cadáver, nem autópsia para comprovar sua morte. Durante décadas, embora seu corpo não tenha sido preservado, um pedaço de crânio encontrado com um furo provocado pelo disparo de uma pistola, foi utilizado como prova da morte do ditador, que havia pedido para que seu corpo fosse cremado imediatamente, a fim de evitar que os soldados russos o expusessem à execração pública por vários dias, como aconteceu com Mussolini.

Outra linha de historiadores, no entanto, defende que Hitler teria conseguido fugir com um comboio de submarinos nazistas da classe XXI para um país da América do Sul, a Argentina, onde teria vivido por mais alguns anos e morrido na década de 60, tendo sido um sósia (Ferdinand Beisel) a morrer no bunker em Berlim.

Sua gritante semelhança com Adolf Hitler foi notada por alguns membros da alta hierarquia nazista, que estavam bebendo no mesmo bar onde Ferdinand bebia com alguns amigos. Após alguns copos de cerveja, Ferdinand teve a grande ideia de imitar o Führer. Sem hesitar, eles o prenderam, usando a justificativa de que o pobre homem estava desrespeitando o amado ditador nacional.

Ferdinand foi preso e, como a atenção com a segurança de Hitler estava redobrada, Ferdinand acabou ganhando um novo e importante papel: ser o sósia de Adolf Hitler.

Existem três documentos que sustentam a ideia de que Hitler não se suicidou: “Um do serviço secreto alemão, que diz que Hitler chegou até Barcelona, vindo de um voo da Áustria; do FBI, que indica que o exército americano estaria gastando grande parte do seu tempo com esforços para localizar o ditador na Espanha; e um terceiro do serviço secreto inglês, que menciona um comboio de submarinos nazis saindo rumo à Argentina.”

Certamente ouve muita manipulação e nunca saberemos o que realmente aconteceu, mas as cicatrizes causadas pelo terror de um líder violento, megalomaníaco e com desejo doentio pela conquista, que levou ao caos da Segunda Guerra Mundial, jamais será esquecido e sua morte será lembrada por muitos.

Hitler era adorado pela maioria maçante dos alemães

Hitler à esquerda com seus companheiros no exército



Fontes:
Hitler - Um perfil do Poder; Kershaw, Ian
A Alemanha de Hitler - Origens, Interpretações e Legados; Satackelber, Roderick
Veja - II Guerra Mundial